Nanocorpos e suas potenciais aplicações: uma revolução em diagnóstico e terapia

Anticorpos são moléculas fundamentais no nosso sistema imunológico, capazes de reconhecer e neutralizar agentes invasores como vírus e bactérias. No entanto, versões menores e altamente versáteis dessas moléculas, chamadas de nanocorpos (do inglês nanobodies), estão emergindo como uma alternativa inovadora e promissora, especialmente nas áreas de diagnóstico e terapia (Figura 1).


Figura 1: Comparação entre os anticorpos tradicionais e os nanocorpos, e seus respectivos domínios de variáveis de ligação. Fonte: https://biocytogen.com/renmice-platforms/hu-vhh-platform/

Esses nanocorpos, descobertos inicialmente em camelídeos (como lhamas e alpacas), têm propriedades únicas. Por serem muito menores que anticorpos tradicionais, conseguem penetrar profundamente nos tecidos e acessar locais que antes eram inacessíveis aos anticorpos convencionais. Isso traz grandes vantagens, especialmente em diagnósticos por imagem, permitindo detectar doenças como câncer com mais rapidez e precisão.

Outra vantagem é que os nanocorpos são fáceis e baratos de produzir em laboratório. Sua estrutura simples também permite modificações rápidas, possibilitando que sejam adaptados para diversos tipos de aplicações. Recentemente, nanocorpos foram usados para criar medicamentos inovadores contra doenças graves, como a púrpura trombocitopênica trombótica adquirida (aTTP), uma rara doença sanguínea. O Caplacizumab, um nanocorpo já aprovado pelas autoridades de saúde internacionais (EMA e FDA), exemplifica bem esse potencial terapêutico.

Porém, apesar das muitas vantagens, existem desafios importantes no uso clínico dos nanocorpos. Um deles é garantir que essas moléculas não sejam reconhecidas pelo sistema imune humano como corpos estranhos, o que poderia limitar seu uso prolongado. Por isso, cientistas estão estudando técnicas para tornar os nanocorpos cada vez mais compatíveis com o corpo humano, reduzindo possíveis efeitos colaterais e ampliando sua aplicação terapêutica.

Mesmo assim, a perspectiva futura para os nanocorpos é promissora. Pesquisadores de todo o mundo trabalham na criação de novos formatos, combinando-os com medicamentos ou outras moléculas funcionais, para ampliar ainda mais suas aplicações. Com isso, espera-se que os nanocorpos desempenhem um papel essencial não só na medicina, mas também em diversas áreas da biotecnologia e da nanotecnologia.

Para saber mais sobre nanocorpos, consulte o artigo original: Applications of Nanobodies.

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