Nanotecnologia e Terapias Inovadoras na Doença de Parkinson: Desafios e Perspectivas
A Doença de Parkinson (DP) é uma desordem neurodegenerativa caracterizada principalmente pela perda progressiva de neurônios dopaminérgicos na substância negra, além do acúmulo de agregados de alfa-sinucleína no cérebro. Esses agregados interferem na comunicação neural, contribuindo para sintomas positivos como delírios, alucinações e distúrbios do pensamento, alterações comportamentais e catatonia e os sintomas negativos, que incluem isolamento social, anedonia e relutância em realizar tarefas diárias.
A Organização Mundial da Saúde (OMS), destaca que DP é a doença neurológica que mais cresce no mundo, com um aumento de mais de 80% nos anos de vida ajustados por incapacidade entre 2000 e 2019. Além disso, a OMS identificou disparidades significativas no acesso a cuidados neurológicos, especialmente em países de baixa e média renda, que carecem de profissionais e recursos adequados para lidar com essa condição crescente.
Nesse contexto, a nanotecnologia tem emergido como uma estratégia promissora para o tratamento da DP. Vários tipos de nanopartículas (NPs) estão sendo estudadas devido à sua capacidade de atravessar a barreira hematoencefálica e fornecer medicamentos de forma direcionada, minimizando efeitos colaterais sistêmicos. Entre os nanomateriais em destaque, estão nanopartículas de ouro e, mais recentemente, plataformas baseadas em grafeno. Esses nanomateriais não apenas permitem uma liberação controlada de fármacos, mas também mostram potencial antioxidante e anti-inflamatório, essenciais no combate ao estresse oxidativo, que é um dos fatores críticos na DP.
Um estudo muito interessante, realizado por Obaydah Abd Alkader Alabrahim e Hassan Mohamed El-Said Azzazy, da American University in Cairo, investigou o uso de nanopartículas poliméricas para a entrega de dopamina e levodopa (importante fármaco que é um precursor da dopamina), cujo efeito biológico é o aumento desse neurotransmissor no cérebro. Esse sistema nanoparticulado permite superar a barreira hematoencefálica e melhorar a biodisponibilidade dos fármacos, oferecendo uma abordagem terapêutica mais eficaz para a DP ( Figura 1).

Em resumo, o uso da nanotecnologia concomitante com a farmacologia se apresenta como uma estratégia terapêutica muito interessante para a mitigação da doença de Parkinson que, como já citado, é uma doença que tem apresentado aumento significativo nas últimas décadas. Entretanto, mais estudos e pesquisas são necessários para verificar quais são as vantagens e desvantagens dessa tecnologia.
Para saber mais, acessar:
https://pubs.rsc.org/en/content/articlelanding/2022/na/d2na00524g